15/03/2017
Debate tópico - A agendade segurança da UE: um ano após os ataques em Bruxelas (debate)
Senhor Presidente, solidariedade com as vítimas é o que me ocorre um ano depois dos ataques de Bruxelas; e, depois, crítica aos governos europeus, que continuam a negar a realidade.
Os ataques de Paris já deviam ter sido o ponto de viragem para uma real e efetiva cooperação europeia na área da segurança, que passa pela partilha de informação e inteligência.
Em vez disso, temos agora, não um, mas 28+1 PNR. Apresentada como bala mágica pelo Conselho, esta diretiva não torna sequer obrigatória a partilha dos dados recolhidos, nem exige o controlo de voos privados.
Em vez de cooperação, vemos governos europeus correr atrás da extrema-direita xenófoba, a vender a ideia de que o terrorismo vem de fora, trazido por foreign fighters , infiltrados entre refugiados, e que erguendo nas fronteiras muros e arame farpado estaremos mais seguros. É mentira, é imoral e é perigoso.
Os terroristas que nos golpearam em Paris e em Bruxelas e noutras cidades eram de fabrico europeu, provando que precisamos de investir em programas para a prevenção da radicalização e em políticas sociais inclusivas. Onde estão?
Precisamos de vias legais e seguras para refugiados e migrantes, a fim de pararmos de alimentar o negócio das redes de traficantes e de criminalidade organizada associada. Onde estão essas vias legais e seguras?
Em vez disso, temos vistos gold e investors' programmes , com via verde para estrangeiros com muito dinheiro, num esquema que põe em causa a integridade de Schengen, importa criminalidade e convida ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. Precisamos de política externa coerente. Olhamos para a Líbia, que é muito resultado ...
(o Presidente retira a palavra à oradora).