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06/02/2014
Relatório da eurodeputada Ana Gomes sobre a Arabia Saudita adoptado pela Comissão de Assuntos Externos do PE

O Relatório da eurodeputada Ana Gomes sobre a "Arábia Saudita, relações com a União Europeia e o seu papel no Médio-Oriente e Norte de África" foi hoje adoptado pela Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu. Neste, que é o primeiro relatório do PE sobre aquele país do Golfo, a relatora socialista conseguiu assegurar que reflectisse preocupações com direitos humanos (pena de morte, liberdade religiosa, tratamento dos emigrantes) e também sobre o papel do regime saudita no apoio à corrente wahabita, a mais fundamentalista do Islão, frequentemente instrumental para a actuação de grupos terroristas, incluindo a Al Qaeda, não obstante ter por inimigo principal a monarquia saudita. O relatório reflecte ainda as preocupações do PE relativamente ao papel do regime de Riade no apoio a grupos extremistas na guerra civil na Síria, no Iraque, no Norte de Africa, no Paquistão, etc.. e da rivalidade que mantém com o Irão.

Nesta sessão plenária em Estrasburgo, Ana Gomes interveio sobre a situação política na Ucrânia, fazendo referencia ao que retirou da visita que na semana passada fez aquele país, integrada numa Delegação do PE: "Regressei de Kiev com a certeza de que os campos estão entrincheirados. Uma solução política negociada para o fim da crise tem de passar pela libertação de todos os prisioneiros políticos e pessoas desaparecidas em consequência da repressão governamental sobre os manifestantes, a entrega à justiça de todos os responsáveis por mortes, tortura, desaparecimentos forçados e outras graves violações de direitos humanos. Além de garantias de equilíbrio de poderes e controlo democrático, com eleições no horizonte, incluindo presidenciais." Ana Gomes defendeu a necessidade do Parlamento Europeu exigir sanções a membros do regime de Ianukovich incidindo sobre o congelamento de haveres em bancos na UE, a recusa de vistos para membros do governo, e oligarcas seus patrocinadores, responsáveis pela corrupção e repressão no país. "Uma guerra civil ou a divisão da Ucrânia poderão estar a ser orquestradas para depois dos Jogos Olimpicos de Sochi e precipitar a Europa e o mundo em nova Grande Guerra. É por isso que o que se passa na Ucrânia nos diz respeito a todos nós, europeus"

Intervindo no debate sobre a Síria, Ana Gomes disse esperar que o processo de Genebra venha a trazer à mesa negocial também o Irão, principal aliado do regime de Assad, sem o qual não haverá solução, da mesma forma que importa garantir que outras potências regionais, como a Arábia Saudita ou o Qatar, deixem de dar apoio à grupos terroristas supostamente ao lado da oposição síria". A eurodeputada voltou a defender que Bashar Al Assad e todos os responsáveis por crimes de guerra sejam referidos ao Tribunal Penal Internacional.

Ana Gomes, em intervenção na plenária sobre o Egito, denunciou a escalada na degradação dos direitos humanos sob o actual regime militar: " Há cada vez mais jornalistas e activistas defensores dos direitos humanos postos na prisão arbitrariamente. A UE tem de rever a assistência que presta ao Egipto ao abrigo da Politica Europeia de Vizinhança e do Acordo de Associação.", sustentou a eurodeputada.

 
 
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