10/07/2015
Ana Gomes nos debates sobre a diretiva de revisão dos direitos dos acionistas de empresas, Tunísia e Iémen
Na sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) Ana Gomes participou no debate sobre o relatório da comissão dos Assuntos Jurídicos sobre a diretiva de revisão dos direitos dos acionistas de empresas. A deputada socialista congratulou-se pela proposta do Parlamento tornando obrigatória a informação pública do que lucram e pagam em impostos, país por país, as empresas. Esta proposta tem assim de ser considerada nas negociações tripartidas entre o PE, a Comissão Europeia e o Conselho dos Estados Membros, para fixação do conteúdo de nova diretiva comunitária sobre o tema. Para Ana Gomes, a posição do PE vem "reforçar extraordinariamente os esforços das administrações fiscais, policiais, judiciais e de jornalistas e cidadãos para detetar e combater o planeamento fiscal agressivo e a evasão fiscal" no mundo das empresas. "É urgente travar a selva fiscal na União Europeia, que os escândalos Luxleaks e Swissleaks expuseram, e que gravemente prejudica o projeto europeu e também outros países, em especial países em desenvolvimento". O que está aqui em questão é o princípio da transparência de todas as empresas de todos os sectores, explicou.
A situação na Tunísia
Ana Gomes interveio no debate sobre a situação na Tunísia, no rescaldo do ataque terrorista na praia de Sousse, no mês passado, e explicou que o objetivo central das organizações terroristas por detrás deste e outros ataques é "afundar a democracia em construção na Tunísia". É por isso que os "cobardes massacres do Museu Bardo e agora na praia de Sousse, em que morreu uma cidadã portuguesa, mostram como as ameaças do terrorismo, do extremismo violento e do crime organizado não conhecem fronteiras, e encontram recrutas graças ao desemprego e à exclusão social que a própria Europa, com políticas recessivas, desgraçadamente faz estender na sua vizinhança". Ana Gomes acrescentou ainda que a UE tem especiais responsabilidades no combate ao chamado "Estado Islâmico", sendo que, até agora, ainda não o conseguiu fazer nem no Iraque, nem na Síria. "Mais perto, na Líbia e na Tunísia, a Europa tem de agir, desde logo apoiando solidariamente a Tunísia, o seu governo saído de eleições democráticas, no desenvolvimento económico e na criação de emprego para dar futuro aos seus jovens, como também no reforço da segurança interna, marítima e de fronteiras", insistiu Ana Gomes. Ao mesmo tempo, a socialista recordou que travar a expansão terrorista passa também pela criação de canais legais e seguros para migrantes e refugiados chegarem à Europa, como a "única forma de não fortalecer as redes de traficantes que se prestam a ser usadas por terroristas, visando hoje cidadãos europeus e, mais tarde ou mais cedo, golpeando em território europeu".
O conflito no Iémen
No debate sobre o conflito no Iémen, a parlamentar socialista que acompanha de perto os acontecimentos na região e foi no mandato anterior relatora do PE para as relações EU-Arábia Saudita, alertou para os riscos do conflito sectário se tornar incontrolável no país e na região. "Temos de intensificar esforços diplomáticos no sentido de conseguir o cessar das hostilidades. O preço a pagar, se não agirmos, é o caos, insuportável sofrimento humano, a destruição de Património da Humanidade e o contágio da violência a países vizinhos", disse Ana Gomes. Além disso, a situação no Iémen possibilita também o avanço de grupos terroristas como o EI ou a Al Qaeda, facilitado pela ofensiva saudita contra os rebeldes que, além de penalizar indiscriminadamente a população, está a bloquear o acesso humanitário ao país, votando milhares à fome e ao desespero.
Ana Gomes interveio ainda nos debates urgentes sobre violação de direitos humanos no Bahrein e o caso particular de Nabeel Rajab, e ainda sobre o Sudão.