16/01/2015
Ana Gomes no Curdistão, em debate sobre a Líbia, o Egipto e a Nigéria e vê eurodeputados a aplaudirem proposta sobre Direitos Humanos
Ana Gomes visitou o Curdistão, Norte do Iraque, integrando um grupo de 4 deputados europeus que decidiu inteirar-se da situação das minorias cristãs, yazidis, shabak, shiitas etc. perseguidas pelos terroristas do chamado "Estado Islâmico".
"Todos no Iraque, das autoridades curdas aos líderes religiosos, nos expressaram o seu pesar e solidariedade pelo atentado terrorista contra o Charlie Hebdo em Paris. Mas também sublinharam que sofrem todos os dias atrocidades às mãos dos mesmos terroristas, estão na linha da frente do combate contra ele e gostariam de ter mais apoio da Europa - militar, político e humanitário - para o prosseguir, tanto mais que entre as fileiras do "Estado Islâmico" combatem mais de 3000 jovens europeus", sublinhou Ana Gomes.
A eurodeputada socialista veio muito crítica pelo que considerou "falta de Europa" com consequências na ineficácia no combate ao terrorismo e no apoio humanitário aos iraquianos que são vítimas dele, em particular as minorias religiosas. No blogue causa-nossa deixou notas sobre a visita e uma reportagem fotográfica, complementada por vídeos.
Ana Gomes no debate sobre a situação a Líbia
Ana Gomes interveio no debate sobre a situação na Líbia, país de que foi relatora do Parlamento Europeu no mandato passado e que visitou diversas vezes. Sublinhou a urgência de travar a guerra civil e a crise humanitária na Líbia e na vizinhança, e barrar a utilização do território líbio como santuário de organizações terroristas, como a que acaba de golpear em Paris. "É a segurança regional, europeia e global que estão sob a ameaça de um estado falhado na Líbia. Chegou a hora de nos juntarmos a países africanos que pedem uma intervenção militar internacional devidamente mandatada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e articulada com parceiros regionais, a Liga Árabe e a União Africana", disse Ana Gomes, considerando ser "urgente ter uma missão de paz da ONU que ajude a devolver condições de segurança para fazer cumprir um acordo político entre as fações líbias, como o Representante Especial da ONU, Bernardino Léon, tem vindo a promover". Na Líbia, joga-se hoje uma "guerra por procuração", disse ainda a socialista portuguesa, que "envolve as mesmas potências que estão por detrás do chamado "Estado islâmico" defendendo que UE use a sua influência política e diplomática contra essa interferência externa.
Egipto na agenda de Ana Gomes
A deputada socialista interveio ainda no debate sobre a situação no Egipto para dizer que a liderança do General Sisi tem uma escolha a fazer: "quer integrar a comunidade internacional como um estado de direito e ser um ator responsável na região do Médio Oriente e Norte de África? Ou quer manter um estado opressor do seu povo, pondo na prisão jornalistas, ativistas políticos ou de direitos humanos, homossexuais, enquanto liberta o corrupto ditador Mubarak?"
O terrorismo de Boko Haram
Sobre as mais recentes atrocidades cometidas pela organização terrorista Boko Haram Ana Gomes disse em plenário que as autoridades nigerianas não têm sido capazes, ou não têm querido, travar a escalada das atrocidades do Boko Haram, "que massacra aldeias inteiras, rapta crianças e agora, horrendamente, as usa como bombas humanas". Este grupo terrorista é, diz Ana Gomes, "uma ameaça à paz e à segurança de África e à paz e à segurança globais" e, por isso, "a Europa tem de se fazer ouvir no Conselho de Segurança das Nações Unidas para que este determine um mandato internacional no âmbito da "Responsabilidade de Proteger" na Nigéria, em parceria com a União Africana e países vizinhos".
Sergei Magnitsky e o combate à corrupção na Rússia
Em debate sobre a condenação do ativista anti-corrupção Alexei Navalny, na Rússia, Ana Gomes defendeu uma lei europeia que estabeleça listas de funcionários, procuradores e juízes que, à revelia das suas obrigações constitucionais, forjam acusações e condenam activistas na Rússia, à semelhança do que tem sido pedido a propósito da condenação e morte do ativista Sergei Magnitsky. Incluindo sanções contra esses responsáveis, como a proibição da concessão de visto para a UE e o congelamento de quaisquer ativos financeiros que estes ou os seus familiares próximos possuam em países da União Europeia.
Proposta de Ana Gomes aplaudida pelo Parlamento Europeu
O plenário do Parlamento Europeu aplaudiu a proposta de Ana Gomes de que o Presidente do PE interviesse de imediato junto das autoridades da Arábia Saudita para travar o vergasteamento do ativista Raif Badawi, punição que considerou "medieval, bárbara e ilegal face ao direito internacional".