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Notícias
09/10/2015
Ana Gomes defende que precisamos de 'mais União e não de mais muros' e participa nos debates sobre a Síria, Líbia e pena de morte

No debate plenário sobre a crise de migração e refugiados na Europa, Ana Gomes acusou os governos europeus de estarem há muito em negação, falhando, por isso, no acolhimento solidário ao afluxo de refugiados, adiando a abertura de vias legais e seguras para não alimentarem o negócio dos traficantes e sem iniciativa no combate político, ideológico, diplomático e militar que subjaz à crise: a guerra na Síria, o caos na Líbia, o Estado islâmico em expansão. Para Ana Gomes não basta a injeção de fundos europeus nos países da vizinhança, sendo necessário envolvimento real dos Estados membros e definição de prioridades "com convergência estratégica, partilha e sinergia de recursos e de capacidades: precisamos de mais União e não de mais muros".

A situação na Líbia continua na agenda de Ana Gomes

Ana Gomes interveio no debate sobre a situação na Líbia, mostrando-se pessimista sobre as perspetivas de ser alcançado em breve o Governo de Acordo Nacional que as Nações Unidas têm procurado mediar junto das partes. Para a eurodeputada socialista, a UE falhou às autoridades de transição, após a queda de Khaddaffi, na falta de ajuda para se fazer o desarmamento, desmobilização e reintegração e a reforma do sector da segurança do país, permitindo assim que as milícias se transformassem nos gangues terroristas de hoje. "O falhanço da Europa é resultado da falta de União e de rivalidade entre os nossos Estados membros, devido ao petróleo e outros interesses", afirmou a eurodeputada, que deixou também alerta sobre o agravamento do caos e do desastre humanitário causado também pela "guerra por procuração que se trava na Líbia, entre Turquia e Qatar, apoiando Tripoli, e Egito, Arábia Saudita e UEA, atrás de Tobruk. "Se não agirmos para travar esta guerra, facilitamos a expansão do Estado islâmico na Líbia, contra o povo líbio e também contra os povos da Europa".

Conflito na Síria

No debate sobre a situação na Síria, Ana Gomes advertiu para a necessidade de enfrentarmos as causas que alimentam o êxodo dos refugiados e para a urgência de uma atuação eficaz da UE que, uma vez mais, falhou "em se empenhar em pôr fim à guerra e em combater o terrorismo do Estado islâmico", criando o vácuo ocupado pela "desastrosa" intervenção russa "em socorro de Assad, que foi causa do conflito e não faz parte da solução".

Dia Mundial contra a pena de morte

O Parlamento Europeu aprovou uma resolução sobre o Dia Mundial contra a Pena de Morte. No debate, Ana Gomes mostrou preocupação com a aplicação da pena capital por crimes de terrorismo e de tráfico de droga em países onde não existem garantias processuais e onde a perseguição policial e judicial de suspeitos pode esconder motivações políticas, como na China contra os uigures, no Paquistão onde a moratória foi "vergonhosamente levantada", ou "na Guiné Equatorial apesar de vinculada à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para vergonha desta Comunidade".

No debate que antecedeu a adoção de uma resolução pedindo clemência para o jovem shiita Ali Mohammed al-Nimr, condenado à morte por decapitação e crucificação na Arábia Saudita, Ana Gomes desafiou a Alta Representante Federica Mogherini e os Estados membros a expressarem publicamente ultraje por esta condenação sectária, bem como a pressionarem as autoridades sauditas a porem fim à barbárie.

 

 
 
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