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10/02/2012
Ana Gomes eleita coordenadora socialista para os assuntos externos

A Eurodeputada Ana Gomes foi esta semana eleita coordenadora do Grupo da Aliança dos Socialistas e Democratas do Parlamento Europeu para a Comissão Parlamentar dos Assuntos Externos. Enquanto coordenadora, Ana Gomes terá um papel chave na definição da posição e estratégia política dos Socialistas do PE em todas as matérias das Relações Externas da União Europeia (UE), incluindo a Política de Segurança e Defesa Comum (PSDC), e na articulação do PE com a Alta Representante/Vice-Presidente Catherine Ashton e o Serviço Europeu de Acção Externa. "Os socialistas precisam de assumir um papel mais influente na intervenção do Parlamento Europeu na política externa da UE, fazendo valer os princípios e valores fundamentais, em especial os direitos humanos e a promoção da democracia, e articulando-os com os interesses estratégicos europeus. Temos de contrariar o impacto negativo da crise económica e financeira já sentido também na diplomacia e nas capacidades de segurança e defesa europeias. Vencer a crise implica uma UE mais determinante no mundo", disse a Eurodeputada.

Como relatora para a Líbia, Ana Gomes questionou na sessão plenária desta semana a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, sobre a ausência de imediata condenação pública pela sua parte da recepção dada em Trípoli ao Presidente Omar al-Bashir, que está sob mandato de captura do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, genocídio e contra a humanidade no Darfur: "Pode indicar-nos quais são os Estados-Membros que se opõem, que razões invocam e por que razões a Alta Representante se há de submeter a essas razões? E face às graves violações dos direitos humanos que as agências noticiosas e as organizações não-governamentais têm reportado das cadeias líbias, com torturas, desaparecimentos, assassinatos de prisioneiros, o comunicado entretanto emitido em seu nome é pouco incisivo. Quer isto dizer que não aprendemos nada com o silêncio cúmplice em relação às barbaridades cometidas por Kadafi e continuamos a silenciar e a nada exigir às autoridades líbias actuais?".

Respondendo à questão, a Alta Representante Catherine Ashton disse apenas que "foi decidido que será feita em breve uma démarche em Tripoli".

Na mesma sessão plenária, e já como coordenadora socialista, Ana Gomes interveio sobre o programa nuclear iraniano e as sanções decretadas pela UE, sublinhando que esta "deve rejeitar uma solução militar, que seria desastrosa para aquela região e para além dela, com Israel na linha da frente". Em relação aos BRICS, a Eurodeputada advogou especial empenho nas parcerias com o Brasil, por ser uma democracia e dadas as ligações civilizacionais com a Europa, em especial com Portugal: "Não foi por acaso que a presidente Dilma Roussef recentemente em Cuba recitou o refrão da canção portuguesa antifascista "O povo é quem mais ordena", concluiu. Ana Gomes introduziu no relatório aprovado esta semana em plenário sobre os BRICS a necessidade de o PE estabelecer uma delegação parlamentar para as relações com o Brasil.

Ana Gomes co-organizou e participou também esta semana na conferência "Um ano de reflexão sobre as revoltas no Egipto".

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