26/02/2016
Ana Gomes e a radicalização dos jovens, questiona responsáveis das Nações Unidas e Nato e participa em debate sobre o TTIP
Ana Gomes visitou a cidade de Mechelen, a 60 km de Bruxelas, para conhecer programas desenvolvidos naquele município belga e na vizinha cidade portuária de Antuérpia, para prevenir a radicalização de jovens, o seu recrutamento por organizações extremistas e terroristas, bem como projetos a desenvolver para sinalização e de apoio às famílias, de reabilitação e reinserção social de jovens retornados. O programa incluiu debates com profissionais da polícia, departamentos de assuntos sociais, assim como elementos de famílias atingidas, organizações de jovens e comunidade muçulmana. Ana Gomes confirmou a perceção que há muito vem defendendo: "Para combater a radicalização é, antes de mais, essencial que a UE regresse a políticas económicas e sociais que criem emprego e oportunidades de realização pessoal e de integração social para os jovens, de comunidades migrantes em especial. E depois que os governos financiem programas integrados a nível local, nacional e europeu, envolvendo agências sociais e de segurança e as comunidades de base, incluindo a escola e as famílias, num trabalho de sinalização e acompanhamento de jovens vulneráveis e de combate ideológico à narrativa dos recrutadores - nada disto pode ser feito sem intenso envolvimento das comunidades muçulmanas e sem formação dos diversos profissionais implicados sobre a cultura e religião islâmica".
Ana Gomes e a Líbia
Ana Gomes interveio na reunião da Comissão Parlamentar para os Assuntos Externos, do Parlamento Europeu, com Martin Kobler, enviado especial das Nações Unidas na Líbia, sublinhando a importância de serem aplicadas sanções europeias (congelamento de bens e negação de vistos) a indivíduos ou organizações que boicotem o Governo de Acordo Líbio, como propôs o PE na sua última Resolução sobre a situação na Líbia, negociada por Ana Gomes em nome do grupo dos Socialistas & Democratas. A eurodeputada socialista denunciou ainda que "o problema está, também, nos nossos Estados-membros, que rivalizam, se contradizem e insistem em negar a "guerra por procuração" que está a ser travada na Líbia pela Turquia e Qatar, do lado da Irmandade Muçulmana no eixo Tripoli/Misurata, e o Egito, Emiratos e Arábia Saudita financiando o controverso general Haftar e grupos salafistas no eixo Tobruk/Benghazi".
Ana Gomes questiona responsável pela NATO
Ana Gomes questionou Jens Stoltenberg, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), sobre o comportamento do seu Estado-membro a Turquia, nomeadamente fazendo "jogo duplo" com o Daesh, Al Nusra e outras organizações terroristas a operar na Síria e no Iraque, com os refugiados que acolhe mas também empurra para a União Europeia e ainda com a campanha de repressão feroz que conduz contra a sua própria população curda no sudeste do país e contra forças curdas na Síria e no Iraque. Ana Gomes questionou também se a NATO planeia intervir na Líbia e se está em coordenação com os Estados Unidos da América no bombardeamento cirúrgico a forças do Daesh nesse país.
A troca de informações para segurança dos cidadãos
Numa troca de ideias que teve lugar na reunião do grupo S&D com Rob Wainwright, diretor da Europol (Serviço Europeu de Polícia), Ana Gomes perguntou, se mesmo depois dos ataques de Paris, ainda se fazia sentir a resistência dos Estados-membros em trocar informações usando as plataformas de contraterrorismo e cibersegurança desta Agência (resposta foi que está a diminuir...). O diretor da Europol concordou com a eurodeputada portuguesa que sublinhou "haver uma relação direta entre o fracasso na regulação e supervisão do nosso sistema financeiro e a capacidade das redes de criminalidade organizada, incluindo traficantes de seres humanos e redes terroristas, para se valer de esquemas de branqueamento de capitais e fazer transitar e mesmo investir nos nossos próprios países, no imobiliário e sob outras fachadas de legalidade".
Ana Gomes debate o TTIP
Ana Gomes participa esta sexta-feira, 26 de Fevereiro, a partir das 16h00, num debate sobre a Parceria Transatlântica para o Comércio e Investimento (TTIP) na Universidade Nova de Lisboa, intitulado "O TTIP -Tratado de Comércio Transatlântico - e o futuro das relações UE e EUA".