13/02/2015
Ana Gomes insta Conselho Europeu a agir contra paraísos fiscais, lembra a situação humanitária no Iraque e na Síria e debate a corrida ao armamento nuclear
No debate em plenário, em Estrasburgo, sobre o próximo Conselho Europeu, Ana Gomes instou Conselho e Comissão a agirem, frisando que também o terrorismo está a ser financiado através dos paraísos fiscais: "Injustiça, indignação, terror é o que os cidadãos europeus que pagam impostos sentem face às revelações do Luxleaks e do Swissleaks". Defendeu ainda que é tempo de acabar com as políticas de austeridade, responsáveis pelo aumento do desemprego e da exclusão social, que por sua vez alimentam a ideologia nihilista que arrasta milhares de jovens europeus a alistarem-se na organização terrorista Estado Islâmico (EI) "a treinar cada vez mais perto, agora já na Líbia". Sobre as negociações de Minsk sobre a Ucrânia, Ana Gomes sublinhou: "Não queremos só a velha Europa e negociar com a velha Rússia sobre a Ucrânia: queremos Paz para toda a Europa!"
Ana Gomes e a situação humanitária no Iraque e na Síria
Ana Gomes, que esteve no mês passado no Curdistão iraquiano onde visitou campos de refugiados e deslocados, representantes das comunidades cristãs, yazidis, e outras, apelou a uma resposta europeia mais eficaz no apoio às vítimas do terrorismo do Estado Islâmico. Isso passa por apoio humanitário e de desenvolvimento adequado para que as minorias perseguidas sintam que ainda podem vir a ter futuro. A deputada denunciou ainda a contribuição insuficiente, descoordenada e mal direcionada que Estados Membros da UE estão a prestar na luta vital contra o inimigo comum, o Estado Islâmico. "Pelo Iraque e pela Síria passa a linha da frente do combate contra o terrorismo que, quando estivemos no Iraque, estava a atacar em Paris" exclamou. Ana Gomes apelou à Alta Representante que assegure a articulação do apoio militar prestado por alguns Estados Membros da UE, apoiando os Peshmerga e usando da influência política junto de potências regionais que dão apoios ao EI. Para Ana Gomes é primordial investir em estratégias de prevenção da radicalização, e em programas de desradicalização, reprimir o financiamento terrorista, e promover uma maior e melhor partilha de "intelligence" entre serviços de informação.
Corrida ao armamento nuclear deve ser travada
No debate sobre a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, Ana Gomes salientou a urgência de travar a corrida ao armamento nuclear: "Assistimos à proliferação de Estados e atores não estatais com armas nucleares, fora do sistema de monitorização internacional. É essencial que Israel, India e Paquistão adiram, e que a Coreia do Norte regresse ao Tratado de Não Proliferação Nuclear".
Breves
Ana Gomes participa esta sexta-feira num debate sobre a "União Bancária: entre a integração e a soberania" em Barcelos, a convite da Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.
Na próxima semana, Ana Gomes integra uma missão da Comissão Parlamentar dos Assuntos Externos do PE à Jordânia e ao Líbano sobre a crise regional provocada pela guerra na Síria. Na Jordânia, os deputados vão reunir-se com o Rei Abdullah II, com o Primeiro Ministro, com os Ministros da Defesa, Negócios Estrangeiros do país e ainda com o Presidente da Assembleia dos Representantes. Em Beirute, os parlamentares europeus encontram-se também com o Primeiro-Ministro, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e parlamentares libaneses. Em ambos os países a missão visitará campos de refugiados sírios e reunirá com o ACNUR e representantes locais da UE.