Início | Bio | Transparência | Galeria | Links | Contactos
      English
  OK  
Parlamento
Arquivo
Artigos
Notícias
direitoshumanos
segurancaedefesa
libia
integridadeetransparencia
fiscalidade
submarinos
envc
justicaeassuntosinternos
vistosgold
vooscia
 
 
Artigos
18/12/2012
O grito de alerta do Nobel da Paz

(Publicado no Acção Socialista - Suplemento Europa)
No dia 10 de Dezembro a União Europeia receberá, em Oslo, na Noruega, o Prémio Nobel da Paz. Desde há muito que, ano após ano, se dizia que a UE estava na lista de favoritos para receber o prestigiado galardão norueguês. A escolha este ano não é inocente: como o próprio Comité Nobel sublinhou, é um grito de alerta contra o perigo de desintegração do projecto de paz, democracia e prosperidade que a União Europeia quis ser, foi e deve voltar a ser.

A UE vive hoje o momento mais grave dos seus 60 anos. A incapacidade da actual liderança política europeia para dar resposta à crise económica e financeira ameaça as próprias fundações da União. Manifesta-se na falta de solidariedade e no preconceito cultivado contra os membros mais endividados, designados por PIIGS, e na chantagem orçamental e financeira com a obsessão da austeridade punitiva que só aprofunda mais a crise. Traduz-se no desmantelamento do modelo social europeu que protegia o trabalho em benefício do desbragamento especulativo do capital, que tira partido da desregulação global, desligado da economia real e da responsabilização social. Resulta na escalada do desemprego, da recessão, da corrupção que se propagam no espaço europeu e têm impacto globalmente; em suma, afecta a vida e a dignidade das pessoas. Passa pela demissão dos Estado e da própria União do exercício da responsabilidade de promover a regulação política e económica ao nível mundial, o que é indubitavelmente um contributo fundamental para a Paz e o bem-estar de toda a Humanidade.

A maioria de Direita que hoje ainda prevalece na UE não merece este Nobel, porque foi a sua ideologia neo-liberal e desreguladora que conduziu à crise financeira de 2008 e porque são as suas políticas socialmente cegas que a transformaram em crise económica, social e política, pondo mesmo em perigo a democracia e ameaçando a desintegração da UE. Por isso considero despropositadas todas as manifestações auto-congratulatórias. Gostaria antes de ver o prémio Nobel ser recebido por parte dos cidadãos, governos e responsáveis das instituições europeias como aviso de que o mundo está a olhar para a UE e como estímulo para que tomem as medidas que se impõem - e que estão mais do que identificadas - para desenterrar a Europa da crise e não a deixar desagregar-se a UE.

Cá dentro, na Grécia, em Portugal, em Espanha, em Chipre - e mais hão-de vir -- onde a crise financeira dita orçamentos nacionais desastrosos e pesados para os cidadãos, para os trabalhadores, pensionistas, reformados, a classe média em particular, os jovens, desenhando um quadro catastrofista. Todos os predicados da Europa da Paz são verdadeiros enquanto não se puser em causa o valor da solidariedade entre membros deste clube.

Sem solidariedade já vimos onde vamos parar: à desgovernação, à instabilidade social que ameaça a própria instituição democrática e o estado de direito. E numa coisa este Nobel do mau agoiro diz como mais nada até aqui que desintegrar a UE quer hoje muito nitidamente dizer desmantelar as nossas democracias. E isso porá sem sombra de dúvida a segurança e a paz novamente em perigo no Velho Continente.

Precisamos de dirigentes e responsáveis políticos capazes, preparados e com memória. Para que os erros das história nos impeçam de dar passos em falso sem ter noção de que as consequências serão devastadoras para Europa e para o Mundo.

 
 
Desenvolvido por: mediaFoundry © 2026 Ana Gomes. Todos os direitos reservados.