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17/09/2012
Estão os Estados Unidos da América a saír da crise?

(Publicado no Acção Socialista - Suplemento Europa)

No início do mês, assisti em Charlotte, Carolina do Norte (EUA), aos trabalhos da Convenção que nomeou Barack Obama candidato oficial do Partido Democrático (PD) às presidenciais americanas. Obama e o PD propõem-se reinventar liderança estratégica, governação, regulação, justiça e diplomacia contra a crise, fazendo reviver as instituições democráticas nos EUA e a nível global.

A Convenção teve, como não podia deixar de ser, por pano de fundo a crise económica. Todos nos EUA percebem que é determinante a avaliação feita pela classe média sobre as políticas da Administração Obama para o país saír da crise e voltar a criar emprego: e, assim, foi para a classe média que a Convenção martelou que Obama herdou o país no pico de uma crise financeira global sem precedentes, em resultado da viciação das regras do mercado pela desregulação desenfreada. Nesta linha, O ex-Presidente Clinton, em magistral intervenção, sublinhou como o país já estava a superar a crise e recordou as medidas tomadas por Obama contra o regabofe da financeirização da economia e o gangsterismo instalado na banca e no "big business" que haviam estado na origem da crise.

Muitos outros oradores desfilaram a evocar os valores da classe média - que não é quem "acumula dinheiro em contas nas Ilhas Caimão para evitar pagar impostos", como observou a candidata ao Senado Elizabeth Warren, que também denunciou Romney por advogar mais cortes nos impostos "para os bilionários já taxados abaixo do que pagam as suas secretárias". E foram sobretudo para a classe média os discursos do Vice Presidente Joe Biden e do Presidente Obama: o primeiro, resumindo o balanço da Administração na frase "A General Motors está viva e Bin Laden está morto!"; e o segundo, mais voltado para o futuro e a procurar incutir esperança, sem deixar de sublinhar que o caminho ainda ia ser duro, mas apelando ao sentido de responsabilidade e resiliência do povo americano.

A Convenção realçou o fosso ideológico que separa Democratas dos Republicanos e uniu e galvanizou o PD para o combate eleitoral. Mas, no dia seguinte, as estatísticas revelavam que no mês anterior haviam sido criados apenas 90.000 postos de trabalho, quando é sabido serem precisos 130.000 para corresponder às necessidades.... Isto é, encerrada a Convenção, cá fora o desafio persiste: como convencer a classe média de que o copo já vai meio-cheio, Ou seja, trata-se de converter o velho slogan: "it is the economy, stupid!" na pergunta: "is the middle class stupid?" e tudo fazer para que o povo americano entenda que com Obama está no caminho da recuperação e com Romney ficará muito pior.

E é aqui que entra a Europa, significativamente. A UE que tem de tomar medidas para travar a escalada depressiva e começar, ela própria, a recuperar da crise, porque dela depende também a recuperação nos EUA, tal a interpenetração das duas economias. À margem da Convenção, responsáveis do PD não se coibiam de frisar aos convidados estrangeiros a responsabilidade que também incumbe e interessa aos europeus de viabilizar a vitória de Obama, "getting their act together" contra a crise.

 
 
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