20/05/2015
Situação na Etiópia (debate)
Senhor Presidente, as eleições na Etiópia, agendadas para 24 de maio, não serão justas nem livres. As recomendações das missões de observação eleitorais europeias e outras, de 2005 e 2010, não foram recebidas nem seguidas pelo governo. Esta é a verdadeira razão porque não haverá este ano missão de observação eleitoral europeia e não, como diz o governo na sua propaganda, por razões financeiras.
A Alta Representante seguiu as recomendações deste Parlamento.
Os partidos da oposição dizem que o EPRDF no poder tem minado os seus esforços para registar candidatos. Desde o ano passado, mais membros de partidos da oposição têm de novo vindo a ser presos e perseguidos. O único membro da oposição no Parlamento não irá concorrer à reeleição devido à interferência do Estado no seu partido. O pluralismo político e as liberdades de expressão, associação e imprensa são muito mais restritos hoje do que há dez anos, quando eu fui Chefe da Missão de Observação Eleitoral na Etiópia. Nenhum outro país africano tem tantos jornalistas e tantos bloggers presos, falsamente acusados de terrorismo, como Eskinder Nega e Reeyot Alemu e muitos outros.
A Etiópia é o maior beneficiário africano da ajuda ao desenvolvimento por parte da União Europeia e é um aliado-chave da União Europeia e dos Estados Unidos em matéria de segurança na região, o que explica a indigna lenidade sobre as graves violações dos direitos humanos, as leis antidemocráticas na Etiópia e a repressão feroz sobre a sua maioria Oromo e sobre as suas minorias, designadamente no Ogaden.
A União Europeia tem de ser audível, exigindo ao governo da Etiópia que liberte todos os jornalistas e opositores políticos, incluindo Andargachew Tsige, um cidadão etíope e britânico, líder da oposição no exílio, que foi sequestrado em julho de 2014 no Iémen e extraditado para a Etiópia.
Ao não promover as vozes para a democracia na Etiópia, a União Europeia está a trair os seus valores e a promover tensões inter-religiosas, extremismo antiocidental no país, um sentimento contraproducente contra os interesses da Etiópia e contra os nossos interesses.
Este é um país estratégico na região. Nós não podemos ficar calados. Nós temos que exigir uma mudança de estratégia, de política para com a Etiópia, que seja, efetivamente, onde temos imensa influência e que, efetivamente, faça a diferença.
Conto consigo, Sr. Stylianides!